É noite. Percorrer as ruas de uma cidade, no silêncio, é um exercício de observação com anos de existência. Talvez, desde o tempo em que fazia viagens de madrugada até adormecer. A curiosidade sobre o que se esconde atrás das paredes que formam ruas, avenidas, cidades, existe desde sempre. Existe, sobretudo, a curiosidade sobre o preciso momento em que essas mesmas paredes mostram a sua vulnerabilidade, se revelam ao exterior e como escolhem apresentar os seus segredos.

A expressão, a opressão, o espaço, o tempo, a falta de ar. o corpo. Feminino. o poder. O brutalismo. Matta Clark. O corpo - o corpo e a violência. erotismo e pornografia.

É este espaço quer explorar a zona de transformação onde tudo acontece e pode ser observado, em particular no espaço doméstico. Tendo presente a evolução da definição do conceito de casa e como este mudou para acomodar novos significados, novos tipos de família e convivência. É uma tentativa de perceber a janela como chave de interpretação da expressão/ intenção arquitectónica e, simultaneamente, do contexto social e político do corpo. Mas

é, acima de todas as coisas, uma manifestação do meu.

Resgatar a janela é um exercício duplo de observação. Voltar ao passado é o caminho natural, neste caso particular é também voltar a casa e perceber que nada permanece igual. 

All in my head.

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